quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Rumo à Bienal do Livro de 2013

Rumo à Bienal do Livro de 2013.

Primeiro, fui dirigindo e voltei dirigindo. Estressante, cansativo, mas o caminho reservava trechos bonitos e ajudou a aliviar. Na verdade parte do caminho é lindo, há alguns pontos da Dutra que podem servir de cartão postal e não perderia para nenhuma cidade europeia. Na altura de Queluz, serpenteia o Rio Paraíba do Sul, uma bela visão, se um dia estiverem passeando por lá, parem e curtam. Na pressa perdemos muito. Mais à frente a Dutra tem outros encontros com veios de rios, nomes que desconheço e também não procurei saber, a visão da bela paisagem já me foi suficiente.

Sabe quando mais precisamos de algo? Pois é, o GPS resolveu não funcionar mais e a solução foi encarar o caminho nas escuras. Quem me conhece já sabe, a chance de parar em qualquer lugar, menos no Rio de Janeiro seria enorme. Na coragem e na intuição, o negócio era seguir em frente. Desafio qualquer um a afirmar que a Linha Amarela, ou qualquer outra visão do subúrbio do Rio é maravilhosa. É simples e em alguns casos, feia! Resultado de muito descaso político e interesses que não são os coletivos. Vão me dizer que estou exagerando? É ir para ver.

Evidentemente que o Rio de Janeiro é uma lagarta em transformação, com prédios sendo construídos em todos os "cantos". Cada espaço vazio é um canteiro de obras, em paralelo, seguem os eventos, pois a cidade precisa de receita, não é mesmo? Olha eu entrando no dinheiro novamente. Deixemos de lado esta questão também, já que não é um privilégio carioca, há muito deste tipo de tratamento em nosso país. Vamos à Bienal.

Sim pessoal, estive lá, fui à Bienal do Livro de 2013 no Rio de Janeiro. Decidido na correria, quase em cima da hora, mas eu precisava ir, tinha que viver este momento, ver "escritores de verdade", ops. Mas sabe de um detalhe, a única diferença entre estes "escritores" e os "novos escritores Nacionais" é que o livro deles está patrocinado, estão na estrada a bastante tempo e já possuem uma marca, o nome reconhecido.



Faço parte do Clube dos Novos Autores e tenho feito cobranças e enfrentado minhas dificuldades, assim como muitos. A cada dia as lições se multiplicam, avolumam e é preciso discernimento para perceber algumas. Estas lições, comento outro dia, agora quero agradecer à recepção no estande da Modo, obrigado!



Minha estada na Bienal quebrou um mito, muito me viam como um avatar, sempre cobrando e conversando virtualmente. Pouca gente, possível de contar nos dedos de uma mão, tinham me visto, mesmo que por alguns minutos. Conheci o Luiz, a Adriana, o Amandio, a Maud, a Paula, a Janaína, o Marcelo, a Lhaisa, a Fabiana e tantos outros, que também conhecia apenas por redes sociais e e-mail. Bom, a Bienal foi um sucesso, a Modo foi um sucesso, vi pouco, mas foi o suficiente para perceber que o trabalho foi árduo e com alguns contratempos, mas temos que dar um desconto, foi o primeiro grande evento da "nossa" editora, a Modo em conjunto com o CNA - Clube dos Novos Autores.



Tenho que destacar a falta de preparo e descomprometimento de pessoas ligadas ao evento Bienal. Penso que muito terá que ser aprendido para eventos mais vultuosos, como a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas. Pessoalmente não acredito que algo vá mudar até lá, pois é uma questão de cultura no preparo de eventos desta magnitude, não há temos e o tempo não nos ajuda. Os interesses econômicos pessoais ficam acima de qualquer outro. Não querem fazer estes eventos para mostrar do que somos capazes de fazer e proporcionar em termos de eventos lúdicos, querem dinheiro, somente o dinheiro. Lá fui eu novamente, vamos voltar à Bienal.



A volta não foi diferente, belas paisagens e um trânsito dos infernos, cheguei mais cansado de dirigir que de andar pela Bienal, mas valeu! Enfim, adorei ter ido à Bienal e visto em pessoa que o que falta mesmo é "boa vontade política", pois o povo comparece e compra livros, quer ler e precisa estar próximo da cultura. Crescemos ao longo de milhares de anos repassando nossa cultura de geração em geração. Os livros são uma forma de voltar às nossas origens e gravar nossos passos. Se faltar energia elétrica, restarão os livros.

Abraço à todos e até mais.
J.C.Hesse

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Texto e criação do autor J.C.Hesse, especificamente para este blog, ao utilizar este texto, por favor, não se esqueça de mencionar a autoria e a fonte. Meu Twitter: JCHesse Abraços, J.C.Hesse (procure no google)